domingo, 28 de março de 2010

Encenando

Esta noite fui premiada com uma sorte com a qual não estou acostumada. Você me visitou em sonhos. Engraçado isso, quanto mais eu tento te tirar de meus pensamentos mais você invade meus sonhos, me tira o fôlego, o chão e me deixa sem saber em qual dimensão ou realidade eu estou.
Mas tranquilize-se, em minha vida não há espaço para que eu sinta uma paixão por você. Claro que isso não é paixão, muito menos amor. É somente uma cisma minha, uma carência que acabei projetando a solução em você. Pelo jeito como me chama, os apelidos que me dá, porque vez ou outra te vejo distante e intocável até mesmo pra mim. E eu crio uma certa fissura/obsessão com o que não pode ser atingido. Eu almejo o que não possuo (e que nem sei se quero que seja meu realmente) e que não foi feito pra mim. Seu estilo de vida, charme, inteligência não são do tipo que meu gene foi programado para conviver.
Tanta negação é no fundo uma grande encenação, afinal quer saber? Eu abriria mão de tudo, minha vida, meus conceitos e me adaptaria toda a você. Traria de volta uma mulherzinha que poderia muito bem ter vivido nos moldes da perfeição feminina para o século XIX.
Mas os tempos são outros, e é no século XXI em que vivo. Hoje é necessário censurar-se para o amor. Mulher tem que ser mulherão, tem que dar medo nos homens, tem que ser auto-suficiente e entender até de mecânica. E assim na era da tecnologia, das grandes cidades, a maior selva de pedras está bem aqui, e é meu coração. Exceto enquanto durmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário